Ontem plantei mais uma rosa em meu jardim.
Ontem fiz uma viagem pela (minha) vida.
Ontem tomei um vinho que guardava para um momento.
Ontem recebi diversas palavras. Que doeram e sorriram em mim.
Ontem, fiquei sozinha. Por escolha. Para o bem.
Ontem derramei lágrimas convulsivas, de libertação.
Ontem decidi viver, viver somente.
Ontem percebi a beleza que há na experiência.
Ontem decidi (novamente): não terei fim.

Ontem sujei os dedos de sangue e lágrima. Mais uma vez tentei tocar a rosa pelo lugar errado.
ResponderExcluirOntem gritei nomes feios ao espelho e a quem pratica a maldade no mundo. Não é a maldade de apertar o gatilho, mas a de quebrar uma flecha. Não sei o quão as pessoas são capazes de mentir, não sei o quão eu mesmo permito que entrem na minha vida e mintam sobre mim, machuquem a quem eu só quis proteger. Eu sou aquele tolo clássico, que deixou todas as gavetas abertas para os impostores roubarem a minha intimidade. Aquele palhaço chorando num beco, aquele falso anjo caído numa poça. Ontem minhas asas foram quebradas e eu decidi correr pra muito longe do único lugar em que aprendi a sorrir e me assustei com a nobreza do amor. Ofereço um brinde sem taça (porque ontem não bebi) ao talento de quem conseguiu enfim esmigalhar o milagre que é uma flor. Vou guardar as pétalas despedaçadas junto aos bilhetes, dentro do livro-presente da Clarice. Prometi para algum deus que me amaldiçoa com talento e angustia nunca ler uma linha sequer deste livro.