quarta-feira, 30 de março de 2011

Arder em saudades

Sentimos saudades das coisas mais supérfluas às coisas que dizemos mais importantes: família, amigos, amores, lugares, brincadeiras, trocas... Tudo. O que importa é que sentimos e isso nos faz ter do que sentir saudades. O mais importante é sabermo-nos vivos para tal sentimento. Sentimento esse que doi, mas uma dor às vezes boa, porque sabemos que irá curar; outras vezes dolorosa demais para cicatrizar a ferida. Não importa. Estamos vivos e sentir é estar vivo.

Quando ardo em saudades, parece que explodirei, gostaria realmente de explodir, é bom. Sabe aquela coisa que achamos repugnante, mas não conseguimos não olhar? Assim é a saudade, a falta. Gostaríamos de não ter, mas não conseguimos parar de "olhar".

Faz bem. Sentir o peito arder de saudades é sinônimo de estar vivo e de que um dia tivemos uma coisa, pessoa, momento, que nos faz ter lembranças saborosas.

Estamos vivos!

sexta-feira, 25 de março de 2011

2

A comunicação.
O encontro.
O bar.
A cerveja.
A conversa.
O sorriso.
O beijo.
A cerveja.
O cigarro.
As pernas.
O ponto.
O calor.
O encaixe.
A despedida.

terça-feira, 22 de março de 2011

Amor

O que é o amor? Quer pergunta mais comum? E também mais complexa? Não sei o que é o amor. Sei somente o que é sentir o amor. Mas também não quero entendê-lo, quero senti-lo. Não sei quando, não sei como, não sei com quem e muito menos por que. Apenas sei, sabemos. Sei que o amor é liberdade, sei também que é prisão. Sei que é felicidade, sei também que é dor. Sei que é amizade, sei também que é inimizade. Sei que é cuidado, sei também que é descuido. Sei que é aproximação, sei também que é abandono.

Poderia ficar horas nas antíteses, mas não quero. Sei o que é sentir o amor e já me sinto grata por isso, apesar de saber quem não sabe o que é senti-lo, só acha. Que triste!

Amor é aquilo que nos alimenta, mesmo não estando faminto.

Amor é aquilo que nos acalenta, mesmo sendo frio.

Amor é um pássaro que voa ao longe, sem saber ao certo seu destino, apenas vai... e vai... e vai...

domingo, 20 de março de 2011

Adeus

Adeus é uma palavra muito forte, mas em certas ocasiões é ela quem deve ser usada. Como agora, não queria ver o que estava sempre em minha frente: não sou bem-vinda, portanto digo ADEUS. Sim, com letras maiúsculas, acabou, vou embora. Deixo para trás sonhos, planos, momentos, alegrias, prazeres, desejos, enfim, tudo. Para mim, esses momentos de abandono só chegam quando tenho certeza do que realmente está acontecendo bem embaixo do meu nariz e eu fazia de tudo para não ver. Sonhava, idealizava, mas chega a hora de dizer: É verdade, acabou.

Acaba quando já não faço mais parte do lugar, quando eu já não faço mais parte do corpo, dos sentimentos, de tudo. É hora de deixar. É hora de partir, e eu parto.

Os sonhos não são mais comigo; os prazeres não são mais comigo; os planos não são mais comigo o peito não é mais só para meus fios se aconchegarem. É chegado o fim, é chegada a hora.

Doi, mas acabou. Doi muito. Mas quem~não consegue compreender a dor, conviver com ela, não sabe o que é viver. Não sabe os prazeres que ela pode nos dar, as descobertas e, principalmente, a força para seguir em frente.

Vou embora, mas sempre deixo um pouco do que há de mim em tudo e todos por onde passo, por onde fui. Fiquem com essa lembrança, porque a presença, não mais.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ela caminha rumo ao desconhecido. Não sabe bem onde vai chegar, sabe que vai. Ela não sabe mais o que sentir, o que pensar, o que viver. Sabe que quer viver, mas para quê? Tudo se torna indiferente aos seus olhos, sua alegria se mingua cada dia mais, mesmo que ela tente apaziguar o tormento que existe dentro de si com todas as forças e falsidades (ela não é falsa, por isso não consegue). Seu olhar, antes brilhante como uma bela folha que se ergue frente a força primaveril, se resume a uma folha que cai lentamente frente a um vento de outono. Não sabe bem como ocorreu, só sabe que ocorreu e ela sofre, sofre muito. Doi latejante em seu peito um sentimento de não poder mais nada, apenas sentir o vazio que existe em sua alma tão jovem e já tão atormentada por descobertas e dores lacivas.

terça-feira, 15 de março de 2011

Respingos

Cai a chuva.
Em meu quarto ouço.
Em meu corpo sinto os respingos do que foi enquanto estava por perto.
Respingos de chuva em que me banhei. Respingos de sentimentos em que me afundei.
Gosto do banho de chuva, talvez por sempre ouvir dizer que ele poderia lavar a alma.
Lava, mas não cura.
Sinto que estou cada vez mais distante desta cura, ou mais próxima do fim.
Estes respingos irão secar e, com eles, a dor que me sufoca, que só se liberta quando aqui estou.
Gosto de pensar no retorno à chuva, mas prefiro agora apenas sentir seus respingos, que pairam sobre corpo, mente e espírito com força avassaladora.
Passará, secará. Enquanto isso, aguardo somente.

segunda-feira, 14 de março de 2011

1

A espera.
O olhar.
O instante.
Os presentes.
A conversa.
A semelhança.
O contato.
A surpresa.
O vinho.
O cigarro.
O toque.
O lábio.
O arrepio.
O início.
O brilho.
A despedida.

Entender

Ela lê, escuta, toca. Procura. Encontra palavras, nuances que machucam, que a fazem sentir, mas não encontra o que procura: entender.

Entender o que se passa dentro dela, o que ela vê, sente, ouve, doi.

Acaba de descobrir que não sabem o que ela é. Acham que é menina. Talvez seja. Por isso não entende.

Não entende como podem ferir algo que é intocável, algo que ela transparece, algo que ela deseja. Mas o fazem. E bem feito.

Não entende como podem mentir sobre sentidos, sentimentos. Como podem (tentar) esconder sentidos, sentimentos. Acham que ela não sabe que acontece. Mas sabe.

Ela sabe que aquilo que tinha dentro se foi. Para onde? Sabe bem. Só não assumem. Têm medo.

Talvez um dia, uma noite talvez, desejem falar, esclarecer o que foi aquele turbilhão de papeis jogados ao vento, com uma força de não poder nunca mais voltar.

Enquanto isso ela aguarda, o momento, de simplesmente entender.

Quem sou eu

Minha foto
Sou alegria, sou dor. Sou início, sou fim. Sou amor, sou ódio. Não grito, deveria.