Ela lê, escuta, toca. Procura. Encontra palavras, nuances que machucam, que a fazem sentir, mas não encontra o que procura: entender.
Entender o que se passa dentro dela, o que ela vê, sente, ouve, doi.
Acaba de descobrir que não sabem o que ela é. Acham que é menina. Talvez seja. Por isso não entende.
Não entende como podem ferir algo que é intocável, algo que ela transparece, algo que ela deseja. Mas o fazem. E bem feito.
Não entende como podem mentir sobre sentidos, sentimentos. Como podem (tentar) esconder sentidos, sentimentos. Acham que ela não sabe que acontece. Mas sabe.
Ela sabe que aquilo que tinha dentro se foi. Para onde? Sabe bem. Só não assumem. Têm medo.
Talvez um dia, uma noite talvez, desejem falar, esclarecer o que foi aquele turbilhão de papeis jogados ao vento, com uma força de não poder nunca mais voltar.
Enquanto isso ela aguarda, o momento, de simplesmente entender.

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